terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Will you come home and stop this pain tonight?

"Como é estranha a natureza morta dos que não tem dor. Como é estéril a certeza de quem vive sem amor."
Cazuza

Sinto saudade.

Sinto falta dos tempos em que eu gostava de ser quem eu sou, sem medo. E se eu sinto falta, é porque eram bons. Por mais incoerente que isso me pareça, eu sinto falta de quando minha família ainda não me achava uma metida à besta, quando todo domingo nós nos reuníamos na casa da minha avó. Sinto falta dos amigos de antigamente. Pessoas com quem eu vivi toda a minha infância, hoje, nem se lembram mais de mim. Gostaria de ter mantido a amizade de todos eles. Assim, meio que casualmente, perguntar sobre suas vidas, sobre seus amores, até sobre o jogo da Espanha de ontem, mesmo eu não gostando de futebol.

Sinto falta do tempo em que eu não ligava para nada. Algumas coisas bobas me faziam feliz. Sinto falta das músicas que eu ouvia há cinco anos atrás, sinto falta de menos preocupações, sinto falta de não me iludir tanto... Mas se pudesse voltar no tempo, não faria nada diferente. Nas horas em que eu pensei que não aguentaria, eu aguentei. So-bre-vi-vi. Amigos não deveriam ser perdidos, assim como as melhores lembranças também não. Sinto falta de chorar lendo o que escrevo. É um longo caminho, cheio de buracos na estrada e planos b a opcionalmente serem seguidos. Na verdade, eu acho que esse é apenas mais um texto bobo sobre como eu perdi pessoas, e como eu verdadeiramente sinto falta de mim mesma, às vezes.

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