terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Freak



Sublevação, ira, vingança, eram sentimentos que Raphael sustentava desde que seus pais se foram. A apatia tomou conta da sua infância inteira, e pegou uma boa parte também da sua adolescência, impossibilitando-o de fazer qualquer coisa. Isso fez com que ele se aproximasse de pessoas malévolas, mas sempre com um pensamento inteligente ao cometer algo contra as normalidades em que ele vivia.
Logo quando seus pais faleceram, ele ficou morando com seus tios durante um bom tempo. Seus tios eram severos, exigindo de Raphael constantemente sua frequência em centros espíritas, reuniões evangélicas, igrejas, por não aceitarem a decisão da sua cresça. Eles não gostavam do seu sobrinho por não aceitar que ele não acreditava em deus, e implicava muito com o seu jeito; por isso, eles obrigavam-no a frequentar igrejas e centros espíritas, pois achavam que ele tinha algum "espírito maligno" ou "encosto". Eles levavam-no na igreja com o objetivo de que ele se libertasse. Isso fazia com que Raphael se revoltasse mais com a vida.

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Já estava anoitecendo. Raphael estava cansado, exausto, totalmente sobrecarregado de um dia estafante. A noite se aproximava, e ele se encontrava em uma mesa enegrecida desorganizada, cheia de livros abertos, canetas, papéis e um portátil laptop em sua frente. Lá ele estudava sobre o "seu caso". 
Em sua mão esquerda havia um lápis que era utilizado no momento para rabiscar uma folha em branco. Ao escrever na folha, o lápis escorregara de sua mão e, ao se agachar para recuperá-lo, uma ventania fora do comum invadiu o seu escritório, vinda da janela central, levando todos os seus objetos leves que havia em sua mesa para o chão.
- Droga! - resmungou. Começou a organizar as coisas, colocando-as em seu devido lugar. Já levantado, foi até a janela do seu apartamento. Com as suas mãos apoiadas no parapeito de sua varanda, avistou o movimento que estava ocorrendo na vista em que seu apartamento lhe oferecia. Pessoas caminhando apressadamente no meio da rua, mendigos na calçada, varredores de rua e etc. Levantou a cabeça e olhou ao horizonte, começou a pensar na morte de seus pais, na sua infância que poderia ter sido melhor caso seus pais não tivessem morrido. Com as imagens da infância e da adolescência pairadas na mente, uma lágrima escorreu de seus olhos escuros.
Apesar de agora ser um homem, ele ainda escondia em seu coração amargura, medo de amar, de ser dócil. Seus sonhos coloridos foram destruídos, transformando-se em preto e branco, no qual ele se recusava muitas vezes lembrar.
- Não vou mais chorar. Não vale apena sofrer. - Ao dizer isso, a atmosfera mudara, uma sensação estranha invadiu o recinto, seu íntimo, em outras palavras, a presença de algo sobrenatural aparecera.
- Você tem toda razão, é por isso que estamos aqui com você, na verdade, nós sempre estivemos... - Em instantes, nuvens negras surgiram no recinto, cercando-o. Não havia escapatória, não havia meios de fugir... E, após um longo minuto, Raphael desaparecera.

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